me cansei. cansei de ser eu o magoado e te ver vangloriando, lá bem em cima. era puro masoquismo, e não fiz nada para o mudar, até hoje. hoje, porque mais que ainda me custe, tentei seguir em frente e até consegui. mas mesmo depois de tudo o que aconteceu, agradeço-te pelo facto de teres aparecido na minha vida, mesmo depois de tudo, mostraste-me sem quereres que nem tudo está perdido e há um mundo á minha volta que me pode curar por completo. E desculpa. Não fomos os melhores um para o outro. chegámos ao ponto de nos auto-destruirmos mutuamente. pensei que iria resultar, pensei mesmo. pensei que te iria ter novamente na minha vida e voltaria tudo ao normal. contudo o meu normal mudou, como tudo nesta passagem escassa pelo mundo inóspito até para os da nossa espécie muda. e tenho pena, muita pena de tu não estares nem nem tencionares fazer parte da minha rotina de novo. mas nunca te esqueças, eu amei-te, mesmo muito. eu estive aqui esperando durante tempos, mas não encontrei em ti as forças que necessitava para continuar a correr desenfreadamente à conquista do teu coração. disse muitas coisas das quais me vim a arrepender, mas apenas com o fim de me proteger de ti, da tua malévola face que em tempos exibiste. porem, teria feito tudo de novo, desde o principio. pois mostraste-me o quanto o meu ser irracional pode amar, mas também o quanto ele é capaz de sofrer e suster a dor, o quanto ele é capaz de descer, batendo no fundo, numa escuridão profunda e mortífera. em tempos tive ira, mágoa e repulsa de ti, mas agora já não sinto mais isso, apenas uma certa quantidade de nostalgia, sentimento esse que se revela sempre que miro o pôr-do-sol e revejo tudo na minha cabeça, enquanto penso também no que poderíamos ter mudado, no que poderíamos ter feito progredir e resultar, no que poderíamos ter salvo e no que poderíamos ter poupado aos nossos frágeis corações. mas tudo isto são mágoas do passado, fechadas a setes chaves num capitulo mórbido da minha vida do qual não me orgulho, mas do qual não me quero desfazer. Faz parte de mim agora, faz parte dos enumeros volumes de historias da minha vida que foram escritas e que ainda irão ser. enquanto te escrevo neste momento, sinto que me estou a deixar fluir todo o meu ser através da caneta, em cada palavra, em cada decalque no papel, em cada nódoa de tinta. sinto-me cada vez mais liberto por pensar o quanto fomos longe, o quanto batalhamos negando o inevitável, tentando mudar o futuro. agora no final, apenas lembra-te de que aonde quer que vá, o que quer que aconteça, não te irá apagar de mim. mas é agora ou nunca. tenho de seguir em frente, finalizar o curativo ao buraco que cavaste no meu quando partiste, levando contigo o meu coração e a minha alma. estou a reconstruir o meu ser pouco a pouco, embora sem ti. mas, no final de tudo, lembra-te que terás sempre uma pequena importância em mim, que ninguém te a poderá saquear. agora, e um olhar em frente, ombros erguidos, cabeça hirta, sorriso rasgado na face, e seguir em frente. mas no final de tudo, ainda resta um pouco de amor por ti no meu coração um amor carinhoso, um amor nostálgico.
luis

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